Mundo
Guerra no Médio Oriente
Após intercalares. Oposição israelita acusa Netanyahu de prejudicar relações com os EUA
A oposição israelita aproveitou os resultados históricos das eleições intercalares norte-americanas para acusar Benjamin Netanyahu de prejudicar as relações com os Estados Unidos. Os rivais do primeiro-ministro prosseguem, entretanto, os esforços para formar um Governo que não o inclua.
Yair Golan, líder do partido israelita de esquerda “Os Democratas”, escreveu nas redes sociais que os resultados das eleições intercalares nos EUA “revelam o quão tóxico Netanyahu é, tanto entre os democratas como entre os republicanos”.
“A permanência de Netanyahu e de Ben Gvir [ministro da Segurança Nacional] no poder poderá colocar Israel num caminho de sanções internacionais, isolamento global e confrontos com os EUA, o nosso amigo e aliado mais importante”, alertou.
Já o líder da oposição centrista, Yair Lapid, afirmou que os resultados das intercalares norte-americanas demonstram que “Israel não pode dar-se ao luxo” de Netanyahu permanecer no cargo.
O primeiro-ministro israelita “põe em risco a nossa segurança, compromete a nossa democracia e arruinará a nossa posição no cenário mundial”, vincou Lapid nas redes sociais.
Benjamin Netanyahu tem-se mantido, até ao momento, em silêncio sobre o resultado das eleições nos EUA. Também não se pronunciou quanto ao anúncio de Donald Trump sobre o fim da ajuda militar de quatro mil milhões de dólares anuais a Israel.
O Partido Democrático dos EUA conquistou a maioria tanto no Senado como na Câmara dos Representantes após as eleições intercalares de terça-feira, representando um revés para Donald Trump e os republicanos.
A votação nos Estados Unidos realizou-se apenas uma semana após as eleições em Israel, onde a coligação de direita de Netanyahu perdeu a sua maioria parlamentar. Os líderes dos partidos da oposição têm estado em conversações com a intenção de formar Governo.
As reações vindas de Israel seguem-se às do Irão, onde o principal negociador disse ver nos resultados das intercalares norte-americanas um “não à guerra”.
"Por consciência ou pelo custo de vida, os americanos disseram NÃO À GUERRA, e nós apoiamos esta mensagem", escreveu Mohammad Bagher Ghalibaf.
"Se o Governo dos EUA trair a vontade popular para servir financiadores e chantagistas internacionais, aprenderá que o nosso NÃO vem acompanhado de um pesadelo", acrescentou.